sexta-feira, novembro 23, 2007

李振藩 CAPITULO XCV: Carta aberta (Tomo II e meio)

Exma. Sra. Dra. Bobone,

esperando que seja bem portuguesa e portanto Bobone poderá apenas ser escrito desta forma, vou pedir-lhe que não fique sentida comigo por interromper a carta que lhe tenho vindo a dirigir mas algo de estranho se passou hoje aqui em casa. Então não é que o meu "primo" que acabou de chegar a Shanghai para fazer o Contacto este ano e que está cá em casa uns tempos (não interprete "primo" à letra, não intercedi junto de ninguém na AICEP para o meter cá) teve a amabilidade de trazer um queijinho de Serpa, daqueles amanteigadas "bem à maneira". Não sei se foi o cheiro intenso que "inundou" a casa que o perturbou ou se foi do facto de o termos aberto por cima, mas por uma qualquer incompreensão gastronómica, o meu "mordomo" mandou-o, assassinado, para o lixo.
E é nestes momentos, pelo crescimento cultural que estas pequenas coisas nos proporcionam, que lhe quero agradecer pelo facto de o contrato que assinamos convosco não ter uma cláusula de regresso.
Um bem haja,

司辉逸



domingo, novembro 18, 2007

李振藩 CAPITULO XCIV: Carta aberta (Tomo II)

Exma. Sra. Dra. Bobone,

Volto a pedir desculpas, porque embora já saiba o seu nome (esta semana de ausência foi preenchida a desdobrar-me em emails e telefonemas para tornar o nosso contacto mais intímo), não tenho a certeza absoluta da correcta forma de a escrever - Bobonne, Bobone ou Bobbone. Por outro lado, como também compreenderá, a associação à sua icónica familiar Paula (como já frisei tenho hoje a certeza que todos somos família) obriga-me, por declinação, a proceder em boas maneiras. Com a devida vénia de retirada, vamos então ao que interessa.

Depois de, julgo que de forma clara, ter exposto as minhas preocupações quanto à cartilha que parece que por aí se vai seguindo, deixe-me levantar um outro problema que julgo que não terão ponderado - objectivos.

Desde muito puto percebi que fazer coisas sem objectivo é a melhor forma de aliviar o stress. Deixar andar é uma receita extraordinariamente relaxante para esperar nada. Mas um pouco mais tarde percebi também que quando se mete ao barulho dinheiro vivo o melhor é ter objectivos, e de preferência ambiciosos, caso contrário podemos acabar a pagar a dívida a dobrar. E mais recentemente, desde que pago impostos, fui forçado a perceber que se alguns "malandros" andam por aí a investir o meu capital, então é bom que tenham objectivos bem definidos e que me apresentem contas trimestrais. Ora é exactamente este o ponto que eu queria debater. Começo por pedir-lhe que pegue na calculadora e faça um conta simples: 200*2000*12*10. Dá, como vê, a bonita soma de 48 milhões de euros. Não, não é o jackpot do Euromilhões: é, grosso modo, o dinheiro que em 10 anos se gastou em bolsas do Programa Contacto.

Sou o primeiro a admitir que é dinheiro muito bem gasto. O programa é, na minha opinião, das melhores decisões estratégicas que se tomaram em Portugal. Mas, simultaneamente, uma das mais mal geridas. O programa Contacto é, tal como um MBA pago por uma empresa, um investimento num recurso, que se espera com potencial de retorno. Agora imagine as McKinsey's e BCG's deste mundo a pagar MBAs a "torto e a direito" - daqueles que custam alguns 150 mil euros em Harvard - e ver a rapaziada ao final de 2 anos a regressar ao posto e a dizer :"Chefe, obrigado pelo MBA! Foi uma maravilha! E já agora aproveito para lhe dizer que hoje é o meu último dia porque recebi uma proposta porreira para ser general manager da empresa X, onde os gajos me oferecem 3 vezes mais, agora que vim de Harvard." E com isto diz o chefe: "Epá, fico contente por ter investido em ti ao longo destes anos todos. Aliás, és o terceiro gajo que me diz isso hoje, é sinal que vocês são bons. Fico orgulhoso. A ver se vamos beber aí uns copos para celebrar." E é ver o CEO, o CFO, o CMO, o CTO e o Gestor de Recursos Humanos que o tinha recrutado há dois ou três de anos, com toda a maralha, a ir beber copos depois de torrarem o dinheiro dos accionistas num "tipo" que se vai embora no exacto momento em que devia começar a "produzir".

Ora bem, o Contacto é, perdoe-me a analogia, uma espécie de MBA a fundo perdido. É a rampa de lançamento ideal para irmos depois trabalhar para outro lado onde podemos ganhar mais. A única diferença é que é um MBA pago com os impostos de todos nós. E sendo dinheiro investido em capital português, deveria ter um vínculo contratual posterior, para evitar que fiquemos indefinidamente no estrangeiro a contribuir para um qualquer PIB e nos alheemos de contribuir para o nosso próprio país.

Com tacto de negócio, vai ver que ainda põe o programa a dar dinheiro. Mas agora não pense muito nisso. São 15 horas de sexta-feira em Portugal, deve ser hora de ir de fim-de-semana.

Até segunda às 11 da manhã, depois do cafézinho,

司辉逸

(P.S.: Tomo3 a sair...)

sexta-feira, novembro 09, 2007

李振藩 CAPITULO XCIII: Carta aberta (Tomo I)

Exma.Sra.Dra.Nova Responsável pelo programa Contacto,

antes de mais peço desculpa por não saber o seu nome, mas como elemento dissidente da geração de ouro do Contacto 10 e já excomungado da mailing list interna, não tive a honra de receber o seu email de apresentação a dar-nos conta da necessidade de devolução do computador portátil que tanto jeito me deu ao longo deste passeio de quase 9 meses (e que por sinal já foi devolvido, devidamente formatado para as configurações de fábrica). Sem necessidade de grandes apresentações formais, visto que é bem provável que sejamos família (acabei de ler um livro que garante com uma certeza aterradora que algures na cadeia evolutiva do Homem todos descendemos de meia dúzia de homo erectus que povoaram o nosso Mundo há 2 ou 3 milhões de anos. Sendo assim, e dada a nossa diferença de idades, tia acho que se adequa) passo a explicar o porquê de lhe escrever esta carta.

O sentimento que me move é inquietante. Sinto-me um arauto com o dever moral, porque afinal de contas fiz parte da "nata da nata" durante 6 meses, de redigir uma espécie de 6/9 de relatório de estágio (tal como todos os meus conterrâneos), mas saltando a parte do estágio propriamente dita - tão fraquinho que foi não merece sequer um relatório - e indo de imediato para a parte das opiniões e sugestões de melhoria, onde acredito ter inputs originais (não porque os outros não tenham pensado nelas, mas porque são um pouco politicamente incorrectas e sinto que não as vai encontrar com regularidade nos relatórios que estão para chegar) que poderão trazer finalmente um superávit à instituição.

Vamos então por partes e com método, como gosto, para privilegiar a clareza:

.Definição de Q.I.:
embora alvo de muita discussão e uma noção que comporta sempre uma boa dose de subjectividade (inclusivamente nos grandes foros científicos de especialistas) foi estabelecido for Alfred Binet nos idos anos de 1800 que Q.I. deveria significar Quociente de Inteligência. Concorde-se ou não com a denominação, pela ampla difusão mundial tornou-se senso comum e parece-me que não é de todo apropriado que se mudem assim as interpretações sem pedir autorização. Concerteza concordará. Mas como a teoria e a prática percorrem muitas vezes caminhos distintos, esta noção parece que vem sendo vilipendiada em tudo o que é processo de recrutamento, e a estas horas o homem anda a contorcer-se na campa. Em favor da verdade - ou pelo menos do respeito - Q.I. deverá, goste-se ou não, significar "Quociente de Inteligência" e nunca "Quem Indica". Porque assim, a perpetuar-se esta versão mais underground, teremos de pensar em mudar o slogan do programa de "A nata da nata" para "A nata da nota".

(Final do Tomo I. Tomo II para breve)


segunda-feira, novembro 05, 2007

李振藩 CAPITULO XCII: "pobretes e não alegretes"

Sou dos que acredita que tudo tem uma explicação, mesmo que desconhecida. E muitas vezes a explicação é em tudo mais óbvia do que aparenta ser.
De facto, sempre achei meio confuso aparecermos na cauda dos rankings de tudo o que é optimismo, auto-estimas, níveis de felicidade, confiança no futuro, etc etc. Há aquelas teorias que dizem que os povos que têm mar, muito sol, feriados à brava, boa pinga, boa comida são felizes não obstante serem sub-desenvolvidos. Nós devemos ser dos poucos - sinceramente não me lembro de nenhum outro neste "agora" - que somos infelizes e subdesenvolvidos "ambos os dois" ao mesmo tempo. Embora não concluída, esta teoria tem já um princípio basilar que constituirá a fundação da teoria que aqui inauguro "pobretes e não alegretes" - uma reedição daquilo que diria o homem dos "rapa tachos".


Ora, vamos à exposição do argumentário:

05-Novembro'07

No site da CCTV (cadeia estatal chinesa de televisão)


.US Defense Secretary holds talks with Chinese military leaders

.China concerned about Pakistan´s state of emergency

.China, Africa celebrate anniversary of Beijing Summit

.Vice Premier takes up field work to boost farm production


No site do conceituado Público:


.Finanças estão a avaliar situação da funcionária pública incapaz para trabalhar

.PetroChina é a maior empresa do mundo em valor de mercado

.Avó e dois netos atropelados numa passadeira em Tires

.Militar da GNR ferido em tentativa de assalto em Gondomar


Agora, atribua-se "1" ponto a cada notícia positiva, animadora e aceleradora da auto-confiança nacional e "0" a uma notícia careta. O resultado final daria 4-1 para a China, sendo que o único ponto português conseguido num meio de comunicação tuga não é sequer de conteúdo nacional mas, por acaso, até é chinês. Façam este teste vocês mesmos de hoje para a frente, multipliquem por 3 ou 4 vezes ao dia (assumindo 2 telejornais visionados por dia, mais um jornal e umas notícias online), 365 dias por ano, ao longo de 75 anos de vida e não sei quantas gerações e no final tentem convencer quem quer que seja que o país anda para a frente, que devíamos estar felizes, que o futuro é risonho e que daqui para a frente acabaram-se os problemas e os anti-depressivos.


Pois é, eu nem concordo com ditaduras do partido único e com a censura da imprensa, mas lá que por estes lados a auto-estima nacional anda lá por cima, ai isso anda. E que era bom fechar a TVI, boicotar algumas novelas e mandar uns tantos para a choldra para por em casa em ordem, lá isso também não era mal feito. A ver se o PC chinês abre uns franchisings e mandamos uns quantos mandatários para aí.


Com ela lá em cima, aquele abraço em abaixo-assinado,


司辉迤



quinta-feira, outubro 25, 2007

李振藩 CAPITULO XCI: usucapião

Com a recente transformação no ICEP - que passou a AICEP (mais uma vez a velha lenga lenga da mosca) - mudaram-se os cargos, as contas bancárias, entre muitas outras coisas e ouvi dizer (sim, ouvi apenas) que saiu um email da nova responsável do programa CONTACTO a dar conta de que os portáteis que nos foram entregues no início do estágio e que em jeito meio informal até nos tinham passado a ideia de que por uma espécie de usucapião ficariam em nossa posse terminado o mesmo parece que vão ter de ser devolvidos. Como é natural, a "rapaziada" ficou em estado de choque a precisar de desfribilhador e começaram a sair disparates em catadupa, de alguns a dizer que não devolvem, outros a dizer que vão faltar à cerimónia de encerramento em jeito de protesto e mais umas quantas bardoadas afinal de contas da "nata da nata" como sempre nos trataram. O mais grave disto tudo é que como de costume, com a "tesão do mijo", a "rapaziada" não leu o contrato. E depois saem destas "frutas", inclusivé de advogados-juízes que fazem parte da dream team deste ano e que a avaliar por esta situação específica querem tratar este contrato como uma espécie de jurisprudência.

Mas no meio de tanta nata, parece que ainda há os que têm a cabeça suficientemente pasteurizada para olharem para aquilo que assinaram e elucidarem quem não sabe. Passo a transcrever, com a natural discrição que a situação exige:

"Boa tarde a todos.

Passo a transcrever o Termo de Responsabilidade que acabei de encontrar no meio da confusão do meu quarto:

Eu, nata nr.139, estagiário do Programa Inov Contacto, declaro que recebi um microcomputador portátil (...).

Findo o período de estágio, asseguro a sua entrega imediata ao ICEP Portugal (...) ou caso contrário, o valor de aquisição (1250 euros)

Posto isto, e partindo do princípio que todos assinaram a declaração, resta nos calar e comer.

Naturalmente ninguém está interessado em devolver o PC, muito menos depois das promessas feitas pela Vera Sousa Macedo. Eu portei me lindamente, fiz a cama todos os dias e lavei sempre as mãos antes do jantar, logo acho que mereco manter o PC. Mas como regras são regras teremos de as cumprir. Podemos falar com a nova responsável e tentar chegar a um entendimento, mas parece me muito difícil. Como sabem o AICEP não nada em dinheiro e como tal não me parece que voltem atras nas suas intenções de nos retirarem o material escolar.

Petições ou emails apoio, não custa tentar. Birras, deixar andar e coisas do género já não concordo. Entrámos no programa e sabiamos as regras. Se não as cumprirmos não podemos exigir que os outros as cumpram.

Quanto ao período de 30 dias, será, para muitos de nós, impossível de respeitar uma vez que estamos fora do país. Nesse aspecto o AICEP terá de esperar. Em relação à cerimónia de encerramento, confesso que não percebo o porquê de tanta animosidade. Entrámos no programa, temos orgulho em fazer parte dele (independentemente das falhas que possam existir) e agora ninguém quer ir à cerimónia? Nem que seja para rever amigos e partilhar aventuras. Espero que a mesma não se realize em Dezembro porque não poderei estar presente, mas se isso acontecer, espero que todos compareçam. Caso isso não aconteça, começam a existir motivos para nos tratarem como crianças que fazem birras e não aparecem na cerimónia porque nos pediram (como estava previsto) os computadores.

Sem mais de momento e esperando que não me odeiem, abcs e bjs a todos, vemo nos em Portugal...sem computadores."

Para que conste, o meu portátil já foi entregue e a transferência de 5000 euros por abandonar o programa CONTACTO antes do tempo vai a caminho. E sim, vou fazer birra e não vou aparecer na cerimónia de encerramento, seja ela em Dezembro ou em Janeiro.

Porque não tenho pais ricos nem ganhei a lotaria, aquele abraço crescido,

司辉逸

PS: nata nr.139, vais fazer falta por estas bandas!

domingo, outubro 14, 2007

李振藩 CAPITULO XC: mais uma! (parte II)

O despertador toca e doem-me as costas de dormir no chão, neste tatami mal amanhado a 2000 yenes a noite, junto à estação dos comboios. Arrumo o resto da roupa suja na mochila e bato à porta da "despensa" onde dormiu o Kid e o Matos&Silva. Descemos 3 no elevador onde só cabem 2 mas acho que nenhum de nós está mal. As consecutivas noites mal dormidas, os litros de saké que se beberam, os km que se percorreram sem um objectivo em pura deambulação, as estórias infindáveis desta semana, o karaoke e as conversas para alinhar o próximo destino, levam o sangue para o cérebro e anestesiam-nos o corpo inteiro.

Conto pelos dedos de um quinto de uma mão os sítios que me provocam este arrepio. Parece que fui meio figurante meio actor principal numa saga que durou 9 dias. Cheio de efeitos especiais, muito high tech e realidades paralelas. Este país é das coisas mais fascinantes onde pus os pés. Um país onde o jardineiro que cuida dos bonsai do templo shinto o faz com a mesma dedicação do seu primeiro dia, onde vejo TV no telemóvel, onde tudo é impecável, onde chamar-te "individualista" é uma ofensa tão grande como um "filho da puta" de boca bem aberta, onde as geishas e as miúdas vestidas de bonecas de porcelana saúdam o Elvis no parque e onde o punk que meteu à boca um sushi de 525 yenes sairá de casa amanhã bem cedo vestido de fato Armani e gravata 5 estrelas. Onde todos cagam numa sanita aquecida com botões que espincham água para nos limpar o cú, onde morar-se em 15m2 é coisa boa, onde a lógica de negócio não é encurtar distâncias entre bancos de comboio para optimizar lucros mas alongá-la para eu me sentir bem. Onde é possível cruzarmo-nos com milhões de pessoas em Shibuya, todas ao mesmo tempo, e ouvir apenas o motor do híbrido que faz marcha atrás.

Este é também o país onde a coincidência é apenas mais uma surpresa no meio de milhares de tantas outras, onde fomos encontrar portugueses num bar em Osaka, noites com vontade de descanso em autêntico revéillon, onde o Sr. Engenheiro nos ensina economia portuguesa, nos elucida sobre as opções do governo, sobre A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, entremeado com a doutrina dos Yakuza e o fascínio de se viver em Tokyo, salpicado com ensinamentos de arte equestre e do que significa apostar no cavalo errado.

Este é ainda o país do qual julguei que ia embora hoje. Mas prenderam-me por mais 24 horas, por causa dum tufão em Shanghai. E conto cuidar destas 24, uma a uma, com a dedicação com que o jardineiro do parque apara a relva onde o puto faz mais um homerun.

Aquele abraço colectivo,

司辉逸


domingo, outubro 07, 2007

李振藩 CAPITULO LXXXIX:mais uma

Osaka, 8 de Outubro de 2008, 00h27m,

Estou a 12 horas do final de mais uma viagem epica. Daquelas que me fazem acreditar que o homem nao e feito para trabalhar mas para viajar. Depois de uma semana no Japao sinto ja saudades do que ainda nao abandonei, de um pais que teima na tradicao de ser diferente de tudo aquilo que para mim e senso comum.

Um abraco pausado em venia,

Bom San

sexta-feira, setembro 28, 2007

李振藩 CAPITULO LXXXVIII: politologo CEAC

Por certo se lembram daqueles cursos do CEAC, em que o pessoal mandava vir uns CDs e tirava umas dúvidas por telefone e parece que se iluminava de um dia para o outro. Sempre foi dos anúncios mais idiotas que alguma vez vi. E depois de já eu próprio - esta é a frase onde aproveito para me auto promover um bocado - ter feito alguns, mais idiota acho. Um script ridículo, um casting ridículo, um produto ridículo. Não tinha ponta por onde se lhe pegasse. Pois bem. Hoje apetece-me fazer uma breve tese de politólogo encartado pelo CEAC - tal como a maior parte dos políticos a part time que temos - e aqui vai "fruta" sobre o recente episódio Pedro Santana Lopes.

Primeiro o vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=MpB1Ydko4NU

Não sei por onde começar. Por isso nem vou começar. Aliás, nem merece que comece. Porque isto nunca acaba. Temos um cancro profundo em Portugal, uma espécie de dilema do ovo e da galinha, com um misto de lenga lenga da mosca. Já ninguém sabe muito bem se a culpa é dos portugueses que escolhem os políticos ou dos políticos porque nasceram em Portugal e é dentre estes que temos de escolher. Já a sabedoria popular muito bem o diz: as moscas mudam mas a merda é sempre a mesma.
Por isso aqui vai um aplauso quase de pé ao Santana Lopes que não sei se em noite inspirada ou depois de umas horas a mamar gin tónicos na Kapital quis bater com a mão na mesa.

Um abraço daqueles que manda esta merda para a frente,
司辉逸

quinta-feira, setembro 20, 2007

李振藩 CAPITULO LXXXVII: metafisico q.b.

De vez em quando, e apesar da falta de tempo notória que me assola, arranjo tempo para pensar. Um pensar que faz bem de vez em quando. E não sei bem porquê, deu-me vontade de agradecer. Um agradecimento metafísico por tudo. Na falta de algo mais transcedental, um agradecimento ao meu pai e à minha mãezinha, em jeito de intervenção televisiva em pleno flash interview.

Aquele abraço em assobio,

司辉逸

terça-feira, setembro 18, 2007

李振藩 CAPITULO LXXXVI: headline

Lingkong Office, Shanghai, 18 de Setembro de 2007,

17h22: ecoa uma voz nos speakers centrais do escritório. Uma mensagem de mais de 1 minuto em chinês que cada um deles ouvia calado e expectante. Entre um generalizado misto de medo e de satisfação nervosa, consegui uma tradução quase simultânea, enquanto ela arrumava a secretária à pressa, colocava o computador na mala, fechava a gaveta e corria atrás da "manada" que em delírio colectivo se esgueirava do 2º andar. Há cinco minutos parece que o Governo de Shanghai contactou as empresas da zona, porque o Wipha se aproxima a passos largos. Mandou evacuar tudo e parece que logo à noite vai emitir novo comunicado para se saber se amanhã se pode sair à rua. Um alerta laranja - o 2º na escala - foi suficiente para categorizar este tufão como o mais perigoso das últimas décadas aqui na zona.

Aquele abraço de mãos na cabeça,

司辉逸

Para quem está preocupado com a comunidade portuguesa em Shanghai:

http://news.bbc.co.uk/2/hi/asia-pacific/7000106.stm
http://66qingdaolu.blogs.sapo.pt/ (post de 18 de Setembro)

domingo, setembro 16, 2007

李振藩 CAPITULO LXXXV: inaudito

Há dias em que um tipo se deita e pensa: porra, hoje fiz alguma coisa que realmente me deixou marcas.
Basicamente, aí umas 6 obturações provocadas por uma anestesia localizada, um buraco considerável na parte anterior esquerda da boca, um bocado de linha azul de coser meias a tapá-lo e uma dor que me encostou à box às 9 da noite num sábado. Ahhh e já agora, menos um dente do ciso, menos uns 250 euros no cartão, mais umas 4 caixas de comprimidos, entre analgésicos, antibióticos e coagulantes de sangue.

Ontem, 15 de Setembro de 2007 (é importante a informação detalhada porque nestas coisas há que celebrar as datas com tudo o que elas merecem), foi um desses dias inauditos.

Aquele abraço em busca dum Cefradine Velosef,
司辉逸

terça-feira, setembro 11, 2007

李振藩 CAPITULO LXXXIV: mais que muito!

11-0 ganhou a Alemanha à Argentina no jogo inaugural do Campeonato do Mundo de Futebol Feminino, aqui mesmo em Shanghai. Repórteres especiais Bom, Rapazote e Matos&Silva a fazer a cobertura ao vivo e a cores, com bilhete comprado no mercado negro, nas barbas da polícia, armas de arremesso nas mochilas, duas muletas e muito insulto para dentro das quatro linhas, a fazer lembrar os derbys da 2ª Circular. Deu para ver frangos, passes longos, grandes golos e reviengas. Depois de 8 meses sem entrar num estádio de futebol, não dá para pedir mais. Afinal de contas, um golo em cada 8 minutos nem nos míticos Jogos de Lisboa.

Aquele abraço em desmarcação,

司辉逸




domingo, setembro 09, 2007

李振藩 CAPITULO LXXXIII: ja la vai

Celebrou-se à coisa de 10 dias o 27º aniversário do je. Porque Agosto foi mês de pelo menos meia dúzia de aniversários de tugaria presente em Shanghai, tive a honra de ceder o dia para celebrar tudo em conjunto. Escolheu-se o restaurante - o importante era ser "all you can drink all you can eat" por 20euros. Acabámos a jantar num japonês, sushi e sashimi, cerveja e sakê q.b.
Quem se lembra diz que foi muito bom. Fotografias, por razões óbvias, estão sem paradeiro.
Aquele abraço a caminho nem me lembro muito bem donde,

HuiYi Si

李振藩 CAPITULO LXXXII: verao como e

Algumas distâncias:

Praia do Castelo: 12234km
Guincho: 12267km
Lagos: 12543km
Sagres: 12621km
Costa Alentejana: 12494km
Sol=148.800.000 km

Na falta de melhor, é assim que se vive o verão em Shanghai. 6º andar de um hotel em Pudong, DJ contratado, umas dançarinas, uns cocktails e champagne, água suja na piscina, meia dúzia de tugas presentes e fazemos a festa! Ontem foi a última. Cá esperamos a reentré em 2008!

Aquele abraço de braçadeira,
司辉逸

Para uma viagem rápida ao verão de Shanghai clicar aqui

segunda-feira, agosto 27, 2007

李振藩 CAPITULO LXXXI: Já 'tá

Shanghai, 27 Agosto de 2007,


Mais uma vez é daquelas coisas que se não estivesse por cá provavelmente nunca tiveria oportunidade de vivenciar. Bem sei que não ganhei nem para a cerimónia de abertura nem para finais, mas cumpre-me celebrar com o país uma partidinha de badminton.

"Dear Rui Silva,

We would like to thank you for your interest in applying for Beijing 2008 Olympic Games tickets. We are pleased to confirm that you have secured your place at some or all of your selected sessions after a random selection on the over subscribed sessions."

Aquele abraço olímpico,

HuiYi Si

domingo, agosto 26, 2007

李振藩 CAPITULO LXXXI: cosmicamente improvável

Há factos que ocorrem de forma tão cosmicamente espaçados que o podermos presenciar é desde logo uma benção. Estou a falar de coisas como estarmos por exemplo na mesma sala no exacto momento em que alguém ganha o Euromilhões, olharmos para o céu no preciso momento em que um OVNI se avista ou, para os mais crentes, encontrarmos a Nossa Senhora em Fátima e sermos um dos pastorinhos.

Sinto-me um privilegiado por ter assistido a um destes momentos, embora exponencialmente mais estúpido. A estória é curta e recente. Sexta-feira da semana passada, condomínio One Park Avenue (onde vivemos), aí pelas 21horas. Eu, Alves e 3 amigas que estão de visita, em direcção à saída para apanharmos um táxi que nos levasse ao Shintori (um Sr. restaurante japonês, para alguns o melhor espaço em Shanghai). Estamos aí a uns 10m da cancela da entrada e duas chinesas vêm a entrar. No preciso momento em que uma delas passa por baixo da cancela - no momento aberta porque tinha acabado de passar um táxi - esta fecha-se e acerta precisamente no cocoruto da cabeça da jovem. Obviamente deixou marcas (nada de mais presumo, um galo ou dois para recordação da semana). Ela lá esbraçou, chamou uns nomes aos seguranças, eles como chineses que são nem ligaram muito, mas a verdade é que o momento fez o nosso dia (acho que posso falar por todos).

O extraordinário da estória não é obviamente a cancela ter-se fechado. Acredito que acontece umas boas centenas de vezes por dia. Mas o ter-se fechado precisamente no momento em que a jovem passa por baixo, naquele nanosegundo em que nem o segurança se apercebe a tempo para a recolher nem ela para se desviar, naquele micro-centrímetro - porque um para a esquerda ou um para a direita e nada aconteceria - e no micro-momento em que nós estamos a passar por elas, é cosmicamente improvável.

Como diria Richard Feynmann, a "probabilidade de encontrar a pessoa que acabou de passar por mim em Tokyo, naquela loja, naquela rua, naquele momento, é extraordinariamente baixa. Tudo depende da forma como olhamos para o acontecimento". Talvez seja isso. De qualquer forma, aqui segue o abraço do costume de alguém cuja existência era cosmicamente improvável há quase 27 anos.

Aquele abraço, de cancela aberta,

HuiYi Si

quarta-feira, agosto 22, 2007

李振藩 CAPITULO LXXX: apátrida

Quando as coisas chegam ao ponto de me dizerem que até podia passar por chinês (parece que a maior província da China - Xinjiang - tem tipos bem parecidos, de barba aparada e cheios de estilo) é sinal que estou perfeitamente integrado. Ou então que estava a ser de alvo de um granda engate e não percebi.

Um abraço em dupla nacionalidade,

HuiYi Si

quarta-feira, agosto 15, 2007

李振藩 CAPITULO LXXIX: menos 5

Mianyang, 15 de Agosto de 2007,
Farto-me de queixar dos chineses. Povo sem moral, sem valores, individualista, uns arruaceiros, porcos, enfim, so coisas mas.
Acabei de chegar de jantar. Estou responsavel por um projecto ca e vim "visitar" o sitio durante 3 dias, basicamente conhecer o mercado, visitar distribuidores, armazenistas, supermercados de vao de escada e casas de consumidores para tentar perceber como e que damos a volta ao negocio nestas paragens, porque efectivamente podia estar a correr melhor.
Tem sido avassalador. Sinto-me pequeno. Pela escala e pela circunstancia. Sao diariamente 10 horas a ouvir falar em chines e provavelmente pouco mais de 5 minutos a retorquir. Mas estes 5 minutos sao uma eternidade e deixa-os incredulos. Nao e nada de especial, confesso, mas o facto de ser o primeiro estrangeiro da Unilever a vir a estas paragens e por isso mesmo tambem o primeiro a tentar balbuciar algumas palavras na lingua deles, deixa-os orgulhosos. E deixa-me orgulhoso. Acho que por isso mesmo, fui o convidado de honra no jantar. Direito a lugar de destaque, a brindes individuais (com baijiu, 50 graus de alcool), a saudacoes e a agradecimento pela vinda. No final, as despedidas, com troca de telefones e a promessa de que querem ir ai conhecer o pais onde nasceu o Da Gama e o Magalhaes, o Figo e o C.Ronaldo.
Cheguei ao hotel e para tirar o cheiro de baijiu e das carnes de porco do hotpot, decidi ir tomar um duche. A campainha toca e ainda de toalha enrolada abro. Sao novamente os tipos das vendas, com o assistente e mais o distribuidor. Vem com um embrulho na mao e entregam-mo. Agradeco 1001 vezes mas e ma educacao abrir a frente deles. Fecho a porta e lentamente desembrulho-o. E um quadro grande, com um galo bordado. E parece o de Barcelos...
Um destes dias dei por mim a pensar em enviar 1.3 bilioes de chineses para Portugal, ver se aprendem a arte do bem receber. Passa se faz favor a 1.299.999.995.
Desde tras do sol posto, aquele abraco virtual,
HuiYi Si

quarta-feira, agosto 08, 2007

李振藩 CAPITULO LXXVIII: curtas

Queixam-se que os têxteis do Norte estão em crise e que os chineses é que são os culpados. Ora bem, não é isso que eu vejo por cá.
Um avraço bigoroso aos empresários do Nuorte,

HuiYi Si

李振藩 CAPITULO LXXVII: linha de apoio ao cliente

Pelo número de posts do teu blog ultimamente vê-se que ,agora sim, começaste a trabalhar.

Esta começa a ser a boca recorrente que mandam para explicar a fome que este blog tem passado. Depois de mais 10 horas de trabalho puxado, apetece-me responder assim:

Para reclamações:

Linha de Apoio ao Cliente
Unilever China
+86 21 22127870
33 North Fu Quan Road
Changning District
200335 Shanghai